17/06/2026
Autoria
Lilianna Bernartt
Tempo de Leitura
4 min
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Festival Internacional do Documentário Musical acontece de 17 a 28 de junho e reúne estreias nacionais, shows e debates para celebrar artistas, movimentos e histórias que ajudaram a moldar a cultura brasileira.
Se o panorama internacional traz nomes como Boy George, Sun Ra e Paul Di’Anno, é na produção brasileira que o festival encontra seu coração. A programação deste ano funciona quase como um grande retrato da diversidade musical do país, reunindo artistas consagrados, movimentos culturais periféricos, tradições populares e histórias que atravessam gerações.
Entre os destaques está Universo Circular – Jocy de Oliveira, de Dácio Pinheiro, que acompanha a trajetória da compositora e pianista responsável por introduzir a música eletrônica no Brasil. Prestes a completar 90 anos, Jocy revisita sua obra e suas trocas com alguns dos maiores nomes da música contemporânea mundial, como John Cage e Karlheinz Stockhausen.
Outro título aguardado é Pontos de Força, de Vânia Lima, que acompanha Mateus Aleluia por espaços sagrados do candomblé em Cachoeira, na Bahia. O filme propõe uma experiência sensorial em que música, espiritualidade, memória e ancestralidade caminham juntas.
A música popular brasileira também ganha homenagens através de documentários dedicados a Alaíde Costa, que aos 90 anos retorna simbolicamente aos Estados Unidos em busca do reconhecimento historicamente negado à sua contribuição para a bossa nova, e ao lendário espaço cultural Canecão, palco de alguns dos momentos mais marcantes da música brasileira nas últimas décadas.
O festival também olha para a música como fenômeno social. Em Entre o Sucesso e a Lama, o cineasta Cristiano Burlan acompanha a criação de um álbum de rap desenvolvido sob mentoria de Edy Rock e Gaspar, enquanto registra as tensões urbanas em torno do Teatro de Contêiner, no centro de São Paulo. Já Hip Hop Caboclo investiga os encontros entre o hip-hop e as tradições populares do Norte e Nordeste brasileiros, revelando conexões muitas vezes invisíveis entre diferentes expressões culturais do país.
Há ainda espaço para revisitar movimentos fundamentais da música brasileira. Quando a Gente Vira Um – Mestre Ambrósio revisita a trajetória do grupo pernambucano que ajudou a moldar o manguebeat, enquanto Nem Tudo É Paz e Amor, dirigido por Betão Aguiar, filho de Paulinho Boca de Cantor, reúne filhos de ícones da contracultura para refletir sobre os legados, contradições e afetos herdados da geração tropicalista.

O In-Edit também reúne alguns dos documentários brasileiros mais comentados da temporada. Massa Funkeira, de Ana Rieper, mergulha no funk carioca para discutir desejo, corpo, prazer e resistência como expressões legítimas da cultura periférica. Já Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui transforma a trajetória da cantora paraense em um retrato vibrante da Amazônia e de suas tradições populares. Completa esse grupo Apopcalipse Segundo Baby, resultado de mais de quinze anos de acompanhamento da vida de Baby do Brasil pelo diretor Rafael Saar. O filme revisita as múltiplas transformações da artista — de Baby Consuelo à figura espiritual que conhecemos hoje — compondo um retrato íntimo de uma das personalidades mais fascinantes e imprevisíveis da música brasileira. Juntos, os três títulos revelam a diversidade de olhares que marca a programação nacional do festival.
Entre o funk carioca de Massa Funkeira, o punk paraense de Gritos de Agonia, a cena operária retratada em Punks do ABC e o universo amazônico de Dona Onete – Meu Coração Neste Pedacinho Aqui, o In-Edit 2026 reforça uma vocação que vai muito além da nostalgia musical. Mais do que contar histórias sobre artistas, o festival revela como a música também é uma forma de compreender o Brasil — suas disputas, memórias, territórios e transformações.
Além das exibições, a programação inclui shows, debates e encontros especiais com nomes como Fernanda Abreu, Odair José, Alaíde Costa e a banda Redd Kross, transformando o festival em uma celebração ampla da memória musical e audiovisual.
A programação completa você acompanha no site: FESTIVAL IN-EDIT
Festival de Gramado chega à 54ª edição com novos prêmios, homenagens e 48 filmes em competição
O Festival de Cinema de Gramado chega à sua 54ª edição reafirmando o posto de principal vitrine do cinema brasileiro. Realizado entre 12 e 22 de agosto, na Serra Gaúcha, o evento reúne estreias nacionais, homenagens a grandes nomes do audiovisual e uma programação que contempla longas de ficção, documentários, curtas-metragens brasileiros e produções gaúchas. A abertura oficial acontece no dia 14 de agosto, com a exibição hors-concours de “Antártida”, novo longa de Bruno Safadi, enquanto o encerramento será marcado pela exibição de “La Perra”, da diretora chilena Dominga Sotomayor, coprodução que estreou no Festival de Cannes e conta com Selton Mello no elenco e na produção executiva.
UMA INFÂNCIA ALEMÃ (2025)
A Segunda Guerra Mundial costuma ser lembrada pelas grandes batalhas, pelos campos de concentração e pelos líderes que marcaram um dos períodos mais sombrios da história. Em Uma Infância Alemã (Amrum), exibido na Seleção Oficial do Festival de Cannes de 2025, Fatih Akin faz o movimento inverso. Em vez de acompanhar os acontecimentos que transformaram o mundo, o diretor volta seu olhar para uma pequena ilha no norte da Alemanha e para um menino que tenta compreender um país que desmorona diante dos seus olhos.
ENTRE O SUCESSO E A LAMA – Dir. Cristiano Burlan
Filme de Cristiano Burlan transforma resistência cultural em cinema