17/07/2026
Autoria
Lilianna Bernartt
Tempo de Leitura
6 min
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O Festival de Cinema de Gramado chega à sua 54ª edição reafirmando o posto de principal vitrine do cinema brasileiro. Realizado entre 12 e 22 de agosto, na Serra Gaúcha, o evento reúne estreias nacionais, homenagens a grandes nomes do audiovisual e uma programação que contempla longas de ficção, documentários, curtas-metragens brasileiros e produções gaúchas. A abertura oficial acontece no dia 14 de agosto, com a exibição hors-concours de “Antártida”, novo longa de Bruno Safadi, enquanto o encerramento será marcado pela exibição de “La Perra”, da diretora chilena Dominga Sotomayor, coprodução que estreou no Festival de Cannes e conta com Selton Mello no elenco e na produção executiva.
1973, o Festival de Gramado consolidou-se como um dos mais importantes encontros do audiovisual latino-americano, sendo palco da estreia de filmes que marcaram a história do cinema nacional e responsável por revelar novos talentos ao longo de mais de cinco décadas. O tradicional Kikito, maior símbolo da premiação, segue como um dos troféus mais prestigiados da cinematografia brasileira.
Neste ano, o festival optou por revelar sua programação em três coletivas de imprensa, realizadas em diferentes cidades do país. A estratégia permitiu que, ao longo de uma semana, fossem anunciados gradualmente os filmes selecionados, homenageados e novidades da edição.
A primeira coletiva, realizada na Serra Gaúcha, anunciou os seis longas brasileiros de ficção que disputarão o Kikito, o filme de abertura, os curtas gaúchos do Prêmio Assembleia Legislativa e confirmou o ator, diretor e roteirista Marcos Caruso como homenageado com o Troféu Cidade de Gramado. Também foram apresentadas novidades relacionadas à acessibilidade, como a disponibilização de audiodescrição, Libras e legendas por meio do aplicativo MovieReading em todas as mostras competitivas de longas e parte dos curtas.
Na segunda etapa dos anúncios, realizada no Rio de Janeiro, o festival revelou novos homenageados. A atriz Andrea Beltrão receberá o Troféu Oscarito, destinado a artistas que contribuíram de forma significativa para o cinema brasileiro, enquanto a produtora Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, será agraciada com o Troféu Eduardo Abelin. A coletiva também marcou o anúncio da pré-estreia da série “Emergência 53”, dirigida por Andrucha Waddington e Claudio Torres, que será exibida durante o festival antes de seu lançamento no Globoplay.

Os anúncios foram concluídos em São Paulo com a divulgação dos documentários, dos longas gaúchos e dos curtas brasileiros selecionados para a competição, além das informações sobre a 10ª edição do Gramado Film Market, que promoverá rodadas de negócios, residência para jovens cineastas e um encontro internacional voltado às políticas públicas para o audiovisual.

A coletiva paulista também apresentou a principal novidade desta edição: a criação do Kikito de Cristal, homenagem inédita destinada a artistas brasileiros que vêm se destacando tanto no cinema nacional quanto internacional. Os primeiros homenageados serão Maria Fernanda Cândido e Selton Mello, protagonistas de produções que colocaram o Brasil em evidência na recente temporada internacional de premiações.
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Pão Doce: quando trabalhar significa não ter tempo para viver
No 54º Festival de Cinema de Gramado, Pão Doce conquistou dois Kikitos: Melhor Direção, para Wesley Gabriel, e Melhor Ator, para Francisco Gaspar. Os prêmios chamam atenção para um curta que parte de uma questão extremamente contemporânea e urgente, mas ainda pouco explorada pela ficção brasileira: os impactos da escala 6×1 na vida de quem trabalha sob uma lógica que parece deixar cada vez menos espaço para simplesmente viver.
“Filhas da Lua” e “Shibal” lideram os vencedores da primeira premiação do Festival de Gramado
Foto oficial: Edison Vara/Ag.Pressphoto
FEITO PIPA, de Allan Deberton
Quando acompanhei Feito Pipa em sua estreia internacional, no Festival de Berlim, havia algo muito bonito em perceber, já naquele primeiro encontro com o público, como uma história tão profundamente brasileira conseguia atravessar fronteiras sem precisar diluir nenhuma de suas particularidades. O Ceará, a casa colorida de Dilma, o futebol, as relações familiares, os gestos de Gugu: tudo permanecia profundamente localizado e, ainda assim, imediatamente reconhecível. Agora, em sua estreia nacional durante o 54º Festival de Cinema de Gramado, uma nova camada se revela: se em Berlim ficou claro o quanto nossas histórias conseguem se comunicar universalmente, aqui se torna ainda mais evidente o calor da identificação quando o público brasileiro se vê na tela, reconhecendo pessoas, afetos, contradições e violências que fazem parte de sua própria experiência.