7.2
Joker (2019), dirigido por Todd Phillips, é um mergulho perturbador e visceral na mente de um dos vilões mais icônicos da cultura pop. Diferente das adaptações tradicionais de quadrinhos, o filme abandona o espetáculo heroico para entregar um estudo de personagem cru e intimista, ambientado em um mundo caótico e opressivo. Ancorado por uma atuação magnífica de Joaquin Phoenix, Joker transcende o gênero ao explorar questões sociais, psicológicas e morais de forma provocativa e inquietante.
O filme segue Arthur Fleck (Phoenix), um homem marginalizado que trabalha como palhaço de aluguel e aspira a ser comediante stand-up. Vivendo em Gotham City, uma metrópole decadente marcada pela desigualdade e pelo colapso dos serviços sociais, Arthur enfrenta humilhações diárias, uma saúde mental deteriorada e a indiferença de uma sociedade que o empurra para os limites da sanidade.
Phillips constrói um retrato gradual e meticuloso da transformação de Arthur em Joker, explorando como o abandono, a violência e o desprezo moldam sua identidade. A narrativa evita simplificações, apresentando o vilão não como um monstro nato, mas como o produto de um sistema falho e desumano.
A performance de Joaquin Phoenix é um espetáculo à parte. Ele não apenas interpreta Arthur Fleck; ele encarna o personagem com uma fisicalidade impressionante e uma entrega emocional sem precedentes. Seus movimentos, sua risada dolorosamente involuntária e sua transformação física — resultado de uma perda extrema de peso — tornam Arthur um personagem ao mesmo tempo repulsivo e trágico.
Phoenix nos força a confrontar a humanidade de Arthur mesmo nos momentos mais sombrios, criando uma tensão moral constante: até que ponto é possível sentir empatia por alguém que comete atos tão atrozes? Essa ambiguidade moral é uma das forças do filme, desafiando o público a questionar suas próprias percepções sobre o bem e o mal.
Todd Phillips surpreende com uma direção que foge de sua filmografia anterior centrada em comédias. Joker é uma obra estilisticamente refinada, inspirada por clássicos como Taxi Driver e O Rei da Comédia, ambos de Martin Scorsese. Gotham City é retratada como um lugar opressivo e sufocante, com uma paleta de cores sombria e uma fotografia que ressalta o isolamento e a degradação.
A trilha sonora de Hildur Guðnadóttir é outro destaque. Composta por tons graves e melancólicos, a música é um reflexo da psique de Arthur, amplificando a tensão e o desconforto que permeiam o filme.
Joker não é apenas um estudo de personagem, mas também um comentário social. A narrativa aborda temas como desigualdade, saúde mental, violência estrutural e a desconexão entre classes sociais. A revolta que se desenrola em Gotham é um reflexo sombrio das tensões que existem no mundo real, tornando o filme tão relevante quanto desconcertante.
No entanto, a abordagem de Phillips não está isenta de controvérsias. Alguns críticos argumentaram que o filme pode ser interpretado como uma justificativa para a violência ou uma glorificação de comportamentos antiéticos. Outros, no entanto, veem Joker como uma advertência poderosa sobre as consequências de ignorar os mais vulneráveis da sociedade.
Joker é um filme ousado que desafia os limites do gênero e confronta o público com questões difíceis sobre a moralidade, a sociedade e a psicologia humana. Com uma performance inesquecível de Joaquin Phoenix e uma direção habilidosa de Todd Phillips, o filme se firma como um marco no cinema contemporâneo, provocando reflexões que vão além da tela.
Não é uma experiência fácil ou confortável, mas é exatamente isso que torna Joker tão essencial. Ele nos força a olhar para o caos, tanto interno quanto externo, e a reconhecer que, às vezes, o monstro que enxergamos no outro é um reflexo de nossas próprias falhas enquanto sociedade.
Título: Coringa
Título Original: Joker
Ano: 2019
Direção: Todd Phillips
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy
Duração: 122 min
Nota QuintaDarte: 7,2
Nota Rotten Tomatoes: 68%
Nota IMDB: 8,4
Os Sopranos
Os Sopranos (1999–2007), criada por David Chase, não é apenas uma das séries mais reverenciadas de todos os tempos; é um marco na história da televisão. A trama acompanha Tony Soprano (James Gandolfini), um chefe da máfia em Nova Jersey, que equilibra os desafios brutais de seu “negócio” com as complexidades de sua vida familiar e as lutas internas de sua saúde mental. Com sua narrativa sofisticada, personagens profundamente complexos e uma visão desafiadora da moralidade, Os Sopranos redefiniu o que a televisão podia ser.
Dr. Fantástico
Lançado em 1964, Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb), dirigido por Stanley Kubrick, é uma das sátiras mais afiadas e icônicas da história do cinema. Num mundo ainda marcado pela tensão da Guerra Fria, Kubrick cria uma obra-prima cômica que transforma o pavor do apocalipse nuclear em uma hilariante crítica à paranoia militarista, à incompetência política e à absurda lógica da destruição mútua assegurada.
Ainda Estou Aqui
Em Ainda Estou Aqui, o diretor [nome fictício ou real do diretor] entrega uma narrativa íntima e emocional que explora os labirintos da perda, do luto e da resiliência. Baseado no livro [nome fictício ou real, caso conhecido], o filme equilibra delicadamente o realismo com toques de fantasia, criando um retrato sensível de como as pessoas processam a ausência e buscam reconstruir suas vidas.