Data

06/12/2024

Autoria

Lilianna Bernartt

Tempo de Leitura

4 min

Categorias

Joker

Crítica, Filmes, Internacional, Suspense (+)

7.2

Joker (2019), dirigido por Todd Phillips, é um mergulho perturbador e visceral na mente de um dos vilões mais icônicos da cultura pop. Diferente das adaptações tradicionais de quadrinhos, o filme abandona o espetáculo heroico para entregar um estudo de personagem cru e intimista, ambientado em um mundo caótico e opressivo. Ancorado por uma atuação magnífica de Joaquin Phoenix, Joker transcende o gênero ao explorar questões sociais, psicológicas e morais de forma provocativa e inquietante.

Joker

Um Retrato da Desintegração

O filme segue Arthur Fleck (Phoenix), um homem marginalizado que trabalha como palhaço de aluguel e aspira a ser comediante stand-up. Vivendo em Gotham City, uma metrópole decadente marcada pela desigualdade e pelo colapso dos serviços sociais, Arthur enfrenta humilhações diárias, uma saúde mental deteriorada e a indiferença de uma sociedade que o empurra para os limites da sanidade.

Phillips constrói um retrato gradual e meticuloso da transformação de Arthur em Joker, explorando como o abandono, a violência e o desprezo moldam sua identidade. A narrativa evita simplificações, apresentando o vilão não como um monstro nato, mas como o produto de um sistema falho e desumano.

Joaquin Phoenix: A Alma do Filme

A performance de Joaquin Phoenix é um espetáculo à parte. Ele não apenas interpreta Arthur Fleck; ele encarna o personagem com uma fisicalidade impressionante e uma entrega emocional sem precedentes. Seus movimentos, sua risada dolorosamente involuntária e sua transformação física — resultado de uma perda extrema de peso — tornam Arthur um personagem ao mesmo tempo repulsivo e trágico.

Phoenix nos força a confrontar a humanidade de Arthur mesmo nos momentos mais sombrios, criando uma tensão moral constante: até que ponto é possível sentir empatia por alguém que comete atos tão atrozes? Essa ambiguidade moral é uma das forças do filme, desafiando o público a questionar suas próprias percepções sobre o bem e o mal.

Direção e Estética

Todd Phillips surpreende com uma direção que foge de sua filmografia anterior centrada em comédias. Joker é uma obra estilisticamente refinada, inspirada por clássicos como Taxi Driver e O Rei da Comédia, ambos de Martin Scorsese. Gotham City é retratada como um lugar opressivo e sufocante, com uma paleta de cores sombria e uma fotografia que ressalta o isolamento e a degradação.

A trilha sonora de Hildur Guðnadóttir é outro destaque. Composta por tons graves e melancólicos, a música é um reflexo da psique de Arthur, amplificando a tensão e o desconforto que permeiam o filme.

Um Espelho da Sociedade

Joker não é apenas um estudo de personagem, mas também um comentário social. A narrativa aborda temas como desigualdade, saúde mental, violência estrutural e a desconexão entre classes sociais. A revolta que se desenrola em Gotham é um reflexo sombrio das tensões que existem no mundo real, tornando o filme tão relevante quanto desconcertante.

No entanto, a abordagem de Phillips não está isenta de controvérsias. Alguns críticos argumentaram que o filme pode ser interpretado como uma justificativa para a violência ou uma glorificação de comportamentos antiéticos. Outros, no entanto, veem Joker como uma advertência poderosa sobre as consequências de ignorar os mais vulneráveis da sociedade.

Conclusão

Joker é um filme ousado que desafia os limites do gênero e confronta o público com questões difíceis sobre a moralidade, a sociedade e a psicologia humana. Com uma performance inesquecível de Joaquin Phoenix e uma direção habilidosa de Todd Phillips, o filme se firma como um marco no cinema contemporâneo, provocando reflexões que vão além da tela.

Não é uma experiência fácil ou confortável, mas é exatamente isso que torna Joker tão essencial. Ele nos força a olhar para o caos, tanto interno quanto externo, e a reconhecer que, às vezes, o monstro que enxergamos no outro é um reflexo de nossas próprias falhas enquanto sociedade.

Ficha Técnica

Título: Coringa

Título Original: Joker

Ano: 2019

Direção: Todd Phillips

Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy

Duração: 122 min

Nota QuintaDarte: 7,2

Nota Rotten Tomatoes: 68%

Nota IMDB: 8,4

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